PRÉ-HISTÓRIA
A carne é o alimento que tem
acompanhado a evolução do homem desde a época em que ele habitava as escuras
cavernas. Nos primeiros tempos, a alimentação humana era essencialmente
vegetariana, baseada principalmente no consumo de frutos e de algumas folhas.
Mas, uma vez experimentada, a carne incorporou-se definitivamente aos hábitos
alimentares da espécie humana. Depois da descoberta desse sabor, qualquer
animal que andasse por cima da terra, cruzasse os ares ou deslizasse sob as
águas dos rios era prenúncio de um farto banquete.
Para isso, esse ancestral do Homo
sapiens saía à caça munido de paus e pedras ou de uma arma que, naquela época,
era o que havia de mais avançado em termos de tecnologia: a lança de pau com
ponta de pedra afiada. Essas batalhas diárias pela sobrevivência, travadas com
as feras, garantiram a perpetuação da espécie e contribuíram para a sua
evolução até os nossos dias.
Os primeiros nacos de carne
saboreados pelo homem foram “in natura”, ou seja, crus e cheirando a sangue. O
único referencial que os candidatos a “gourmet” daqueles tempos possuíam era a
prática observada entre os outros animais carnívoros, que, além de serem os seus
primeiros “professores gastronômicos”, também engrossavam o cardápio dos
humanos. A tradição culinária de comer carne crua é mantida ainda hoje pelos
esquimós, que assim degustam a carne de foca, e por algumas comunidades árabes,
que ingerem crua a carne de cordeiro.
Assim se alimentou a humanidade
por muito tempo até que foi descoberto o fogo, elemento natural que mudou
radicalmente a vida de todos os que passaram a dominá-lo e a usufruir de sua
força transformadora. Inicialmente, ele só servia para aquecer durante o inverno
e para afugentar as feras que queriam fazer do homem o seu prato predileto.
Mas, num belo dia, por acaso,
como ocorreram quase todas as grandes descobertas da humanidade, alguém
resolveu chamuscar as carnes que tinha acabado de caçar. O resultado não podia
ter sido melhor, pois, além da considerável melhora no sabor, foi possível
perceber que, nos dias seguintes, o assado continuava bom para o consumo, não
se deteriorando tão rapidamente como a carne crua. Esse assado é o ancestral do
churrasco, que pode ser considerado o mais antigo dos pratos da culinária
mundial.
Outro fator que contribuiu para
incrementar essa mudança nos hábitos alimentares dos nossos antepassados foi a
domesticação de rebanhos bovinos, suínos, caprinos e ovinos, o que garantiu o
abastecimento seguro de carne. Assim, o homem deixou de ficar na dependência da
sorte em suas caçadas.
HISTÓRIA
Segundo indicam os fatos
históricos, foi no século XVII que no Rio Grande do Sul surgiu a forma gaúcha
de se fazer churrasco, que hoje se difundiu por todo país e tem até
reconhecimento e apreciação internacional. Além disto, tornou-se sinônimo de
festa e confraternização entre familiares e amigos.
A descoberta do churrasco é
atribuída aos índios que habitavam a costa das três Américas. Eles assavam a
carne ao ar livre, numa fogueira sobre pedras com auxílio de uma grelha de
madeira verde, mas foi na região do grande pampa que o churrasco encontrou o seu
ambiente ideal.
A pecuária sempre foi uma das
maiores riquezas do Uruguai, da Argentina e do sul do Brasil, na chamada região
dos pampas, e a lida com o gado afastava os homens do campo por longos períodos
de suas casas.
O churrasco era uma forma mais
prática de fazer uma refeição, pois tudo que era necessário para preparar a
refeição estava à mão: uma boa faca afiada, uma fogueira preparada em um buraco
cavado no chão (fogo de chão), um espeto de vara que podia ser preparado na
hora com galhos, um generoso pedaço de carne e sal grosso. O sal grosso, aliás,
era e até hoje é utilizado como complemento na alimentação dos bovinos. A carne
era cortada em pequenos pedaços e servida, iniciando a forma de se servir carne
chamada de rodízio. E estava assim criado o jeito gaúcho de se preparar
churrasco.
A princípio, o churrasco como
conhecemos hoje era muito raro, pois não havia preocupação com o comércio da
carne bovina, e sim do couro e sebo.
No Rio Grande do Sul, o churrasco
até hoje faz parte da cultura do gaúcho, estando também sempre presente na vida
do campeiro gaúcho. Em todo o Brasil, existem milhares de churrascarias, que
satisfazem a todos com a qualidade e grande oferta de carnes, saladas,
acompanhamentos e sobremesas.
Hoje existem churrascarias
brasileiras espalhadas pelo mundo, que estão fazendo muito sucesso em países
como Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia, Austrália, Itália, Suíça,
Inglaterra, Macau, Singapura e Tailândia. É a cultura brasileira se espalhando
pelo mundo.
Churrasco no Mundo
O churrasco, refeição tão
importante em nossa cultura brasileira, é preparado geralmente em churrasqueira
ou fogo de chão, e temperado somente com sal grosso. Mas em outros lugares do
mundo existem grandes diferenças, tanto nos alimentos preparados, tipo de
churrasqueira, temperos e acompanhamentos…
DEFINIÇÃO
Churrasco pode ser definido como “o
preparo de carnes sobre o calor de carvão e brasa em espeto ou sobre grelha”.
Também significa reunião de familiares e amigos, confraternização, ritual,
cultura, e além de tudo, uma excelente e saborosa refeição. Portanto, aprenda
várias dicas para garantir um excelente churrasco!
A CHURRASQUEIRA
Basicamente, existem
churrasqueiras feitas de alvenaria ou churrasqueiras portáteis. Muitas das
casas e apartamentos na região sul do Brasil incluem churrasqueiras feitas de
alvenaria já na planta, refletindo a cultura local. Estas churrasqueiras são
revestidas com tijolos refratários. Uma boa churrasqueira de alvenaria deve ser
fechada na parte de trás e nas laterais, para que forme uma espécie de forno,
concentrando o calor.
Além disto, outros pontos
importantes são: a churrasqueira não deve deixar que a fumaça escape pela
frente, deve permitir um bom manuseio dos espetos, assim como o uso de grelha e
chapa, deve ser de fácil limpeza e adequada ao tamanho da família ou grupo de
amigos que irá partilhar deste prazer.
Cuidado se você decidir colocar
pedra (granito, mármore) na parte frontal da churrasqueira: apesar de bonito,
você poderá queimar seus braços, pois a pedra aquece muito. Em uma
churrasqueira com essas características, é possível assar carnes (colocando-as
mais longe de braseiro) e grelhar carnes (mais próximas do braseiro).
A definição é simples: os
grelhados ocorrem quando se coloca a carne a até aproximadamente 20 cm da
brasa, sobre uma grelha ou espeto. Acima desta altura as carnes são assadas, em
processo mais lento. Claro que estas distâncias podem variar conforme estiver
arrumado o braseiro, sua altura e temperatura. Grelhe porções pequenas (400 a
600 g) e asse peças grandes (acima de 1 kg). Lembre-se de descontar a porção
(peso) de osso de carnes com osso.
Se você comprar uma churrasqueira
portátil, escolha uma que seja firme, fácil de montar e de limpar. É importante
que ela tenha várias regulagens de altura, permitindo assar diferentes carnes e
2 controlar a temperatura de cozimento. Encontram-se hoje vários tipos de
churrasqueira portátil: elétrica, a gás ou com carvão. Leia bem as instruções
do fabricante antes do uso.
Depois de terminar seu churrasco,
limpe a churrasqueira e seque-a bem, pois o calor muitas vezes queima a camada
de tinta protetora, e se você não caprichar na hora de secar ela logo ficará
enferrujada.
A churrasqueira deve estar em um
recanto agradável da casa, onde todos se sintam confortáveis e possam ficar
juntos. O local deve ser coberto, fresco e arejado, porém abrigado do vento. É
importante ter uma bancada com pia próxima à churrasqueira para que o
churrasqueiro possa trabalhar com tranquilidade e higiene. Tenha sempre à mão
um paninho, toalha e sabonete. Lave as mãos com frequência, pois é uma boa
prática de higiene.
A forma típica de assar carne no
sul, e considerada a origem do processo de churrasquear, é o fogo de chão. Os
espetos utilizados para fogo de chão são entalhados em galhos de madeira, sendo
largos e compridos, com pontas afiadas. Se você quiser fazer um churrasco em
fogo de chão, tome cuidado com o tipo de madeira que você escolher, pois já houve
casos de intoxicação grave de pessoas que utilizaram espetos de madeira de
plantas tóxicas como a espirradeira e a primavera. Uma dica é observar se a
planta tem látex ou seiva branca: a maioria das plantas com estas
características é tóxica e não deve ser usada no preparo da carne.
ESCOLHENDO A CARNE
Escolha as carnes com
antecedência e muita calma, de preferência no dia anterior. A carne de
qualidade é uma carne de boa procedência, inspecionada pelos órgãos
competentes, de cor vermelho-cereja, brilhante, com odor característico,
devendo estar resfriada ou congelada.
Não compre a chamada ''carne quente'', de animais recém-abatidos.
Apesar de comum em várias partes do Brasil, este tipo de carne não passa pelos
procedimentos necessários de inspeção sanitária e resfriamento, não sendo,
portanto adequada para consumo.
ALCATRA
Está localizada a parte traseira
do boi junto ao dorso, sendo um dos cortes mais nobres e saborosos para
churrasco. A chamada alcatra inteira compreende a picanha, a maminha e o miolo
da alcatra (de onde vem o baby beef. A parte de dentro, chamada coração da
alcatra, é um excelente pedaço para churrasco. A alcatra deve ser de
preferência preparada na grelha e assa rapidamente, ficando pronta em 15 a 20
minutos. Se for utilizar o espeto, corte a alcatra em fatias de 8 a 10 cm. de
comprimento ou então em pequenos cubos. Evite cortes finos, porque a carne
resseca com facilidade.
PICANHA
Unanimidade nacional, a picanha é
um corte tradicional de churrasco. É facilmente reconhecível por seu formato
triangular e capa de gordura que a cobre por inteiro, e que não deve ser
retirada para assar, pois alterará seu sabor e suculência. A picanha é uma
carne que varia entre 1 kg e 1,5kg. Preste atenção se alguém tentar lhe vender
uma picanha que tenha mais de 1,5 kg: peças maiores incluem um pedaço de coxão
duro. Se a parte de baixo ainda estiver com nervura ou pele prateada, retire-a
antes de salgar e levar a carne ao fogo. Para assar a picanha em um espeto,
corte em fatias grossas, com cerca de quatro dedos de distância entre os
cortes. Para preparar picanha na grelha, corte-a em pedaços grossos, para
deixá-la mal passada em seu interior, pois a picanha endurece um pouco se
passar do ponto certo. Deve ser servida ao ponto ou mal passada.
MAMINHA
Também conhecida como a ponta da
alcatra ou colita del cuadril. É uma carne saborosa e suculenta. Deve ser
preparada de preferência em espeto, para que seja fatiada aos poucos em fatias
finas. Limpe-a bem antes de assar, e tempere-a apenas com sal grosso. Na
grelha, também fica saborosa. Deve ser servida entre mal passada até ao ponto,
pois se ficar muito passada o sabor pode se alterar.
CONTRAFILÉ
Também conhecido como filé curto
ou lombo desossado, ou bife de chorizo (Argentina e Uruguai). É macio, tem
sabor acentuado e muito suco. Deve ser servido mal passado, no máximo, ao
ponto, em bifes grossos ou então fatiado e servido picado.
FILÉ MIGNON
Considerado por muitos o mais
nobre dos cortes, caracteriza-se pela maciez e sabor adocicado. Não é das
carnes mais procuradas para churrasco, mas pode dar excelente resultado quando
preparado na grelha (sempre em pedaços grandes ou inteiro). Também pode entrar
como ingrediente do “xixo” ou “espetinho”, com outro tipo de carne como frango
ou carne suína, linguiça, bacon, cebola, pimentão, etc.
COSTELA
Uma boa costela para churrasco
tem de ter camada de gordura, pois do contrário a carne pode ressecar. O mais
importante na costela é observar a proporção carne/osso/gordura, portanto
imagine como ela ficará depois de assada. Uma boa proporção é quando a parte de
osso corresponde a 30% do peso total do corte.
Em duas versões: costela minga ou
costela ponta de agulha e costela ripa. A minga sai da parte inferior da caixa
torácica, formada por ossos mais finos e muitas cartilagens, e é mais
entremeada de gorduras e carnes. O ideal é comprá-la em casas especializadas em
churrasco, para que esteja cortada no tamanho certo e bem limpa. A costela ripa
é aquela parte de cima do boi junto ao dorso. Tem ossos maiores e mais largos e
a carne um pouco mais seca. As duas devem ir às brasas com o lado do osso
virado para baixo. Só depois de bem assadas, devem ser viradas. Deve ser
servida ao ponto. No Uruguai e na Argentina, recebe o nome de assado de tira e
é cortada bem fina, em porções com cerca de 5 cm de osso.
MATAMBRE
O matambre tem seu nome originado
do espanhol ‘mata hambre’ (mata a
fome), pois quando um bovino é abatido, a primeira peça de carne que se retira
é esta manta que envolve a costela.
Quando se compra costela, o
matambre é a tira de carne de cor rosada que a envolve, e que deve ser
preparada separadamente. Pode ser preparada na grelha ou no espeto, cortada em
tiras finas e servida como aperitivo para o churrasco. Outro preparo excelente
é enrolar o matambre e recheá-lo com legumes, linguiça e ovos.
FRALDINHA OU VAZIO
É a ponta com carne da costela
minga ou ponta de agulha. Escolha sempre fraldinhas grandes e com gordura, o
que indica que ela provém de um animal de boa qualidade. A gordura deve ser retirada
na hora de servir. Teste sempre durante o assado, pois ela pode estar muito
crua em um momento e logo passar do ponto, ficando seca. Seu modo de preparo é
simples, mas deve ser cuidadoso: basta espetar a carne no espeto com parte
maior para o lado de dentro (do espeto) e a porção mais fina em direção à ponta
do espeto. Coloque bastante sal grosso e asse na churrasqueira em altura média.
Para servir, bata na carne com as costas de uma faca, para eliminar o excesso
de sal grosso, e corte-a em fatias. Se for levar de volta o fogo, espalhe um
pouco de sal refinado. É muito saborosa, sendo considerada uma das melhores
carnes para churrasco, devendo ser cortada em pedaços grossos.
GRANITO / PEITO
É carne do peito e vem com osso e
bastante gordura. Deve ser assado com bastante calor e por muito tempo. Na hora
de servir, deve-se retirar a gordura, em geral de cor amarelada.
CHULETA OU BISTECA
Parente nacional do corte
americano conhecido como T-bone steak e do entrecôte francês. É muito saborosa
e entremeada de gordura. Fica excelente cortada em pedaços com cerca de dois
dedos de espessura e temperada apenas com sal grosso, e colocada na grelha a
20-25 cm de altura do braseiro por cerca de 15 a 20 minutos. Para saber o
momento exato de virar a carne na grelha, espere até que o suco da carne brote
na superfície, o que ocorre em aproximadamente 7 a 10 minutos. Este é o momento
de pegá-la com uma pinça comprida e virá-la.
CUPIM
O cupim é o conjunto de fibras
musculares, entremeadas de gordura, situadas logo atrás do pescoço de bovinos
de raça ou cruza zebuína. Tem sabor característico e paladar agradável, devendo
sempre ser cozida lentamente. Muito utilizada em churrascos, pode ser assada
enrolada em várias camadas de celofane especial para culinária que distribui o
calor uniformemente e promove o cozimento da carne em seu próprio suco.
PAMPLONA
A Pamplona é uma especialidade
uruguaia tradicionalmente preparada com o coração de filé mignon ou picanha
recheados de tempero verde. Hoje é feita também com lombo de porco e filé de
frango.
BIFE DE CHORIZO
O bife de chorizo é bastante
popular na Argentina, sendo cortado do contrafilé de gado de raças europeias. É
preparado na grelha em braseiro forte, cortado em bifes grossos e polvilhado
com sal grosso.
ASSADO DE TIRA
O assado de tira é bastante
apreciado na Argentina, sendo a costela do novilho precoce cortada em tiras de
aproximadamente 8 cm de largura. Tem carne bastante tenra e fica pronto
rapidamente, levando somente 20 a 30 minutos na grelha.
QUANTIDADE DE CARNE
Para se calcular a quantidade de
carne para um churrasco, é preciso lembrar que haverá pessoas que consumirão
apenas 250 gramas e outras que podem consumir até 1 kg de carne. Para
calcular-se a média por pessoa, recomenda-se 400 a 600 gramas de carne para
adultos e 300 gramas para cada criança. Porém se você servir vários tipos de
carne, aumente as quantidades por tipo de carne, para não arriscar a falta de
carne se todos preferirem consumir um só tipo. Devem-se levar em conta que além
de carne seus convidados irão consumir também acompanhamentos como pão de alho,
saladas, farofas, arroz, aperitivos, vinagrete, chimichurri (mistura de temperos
muito apreciada por argentinos e uruguaios), etc.
ESCOLHENDO O CARVÃO
Talvez você não saiba, mas a
escolha do carvão é muito importante. Existem diversas marcas e embalagens, e é
importante saber reconhecer um bom carvão. Os carvões feitos de madeira de
acácia negra e de eucalipto são considerados os melhores, pois são homogêneos,
não liberam muita fumaça, têm boa textura e rendimento, ficando, portanto mais
econômicos. Se o carvão produz muito pó, é quebradiço e fica disforme, não é um
produto de boa qualidade. Por isto, verifique na embalagem de que tipo de
madeira é feito o carvão, verifique se os pedaços de carvão estavam realmente
secos e eram grandes, e se ficar satisfeito anote a marca para uma próxima
compra.
QUANTO CARVÃO SE USA EM UM
CHURRASCO?
A quantidade de carvão necessária
para um bom churrasco varia bastante, conforme o tipo de churrasqueira; o tipo
de carnes sendo assadas; os cortes de carnes (costelas demoram mais a assar do
que fatias de carnes grelhadas); o clima (inverno ou verão), a habilidade do
assador, etc. Mas de forma geral pode-se dizer que para um churrasco preparado
para dez pessoas um saco de carvão de 5 kg de boa qualidade é suficiente.
Lembre-se que existem algumas churrasqueiras que consomem mais carvão do que
outras, portanto é sempre recomendável ter um ou dois sacos de carvão na
reserva, para qualquer necessidade. Lembre-se que a brasa vermelha e viva é um
dos segredos para um bom churrasco, portanto não deixe faltar carvão em sua
churrasqueira!
GRELHA OU ESPETO?
A escolha entre espeto ou grelha
deve ficar a cargo do assador ou churrasqueiro. O uso de grelha ou espeto
dependerá também dos formatos de carne e a facilidade para assar cada um deles.
Grelha
Muitos churrasqueiros preferem a
grelha, argumentando que assim a carne é assada por inteiro não perde o suco,
pois não é furada pelo espeto. Em nossos vizinhos do MERCOSUL a grelha é
utilizada com maior frequência do que o espeto. A grelha permite que se
trabalhe com vários tipos de carnes ao mesmo tempo, além de outros complementos
como queijo provolone, pimentão, linguiças, tomates, cebola, morcilha, etc. A
grelha favorece as carnes sem osso, em detrimento das carnes com osso como a
costela. Portanto as carnes mais indicadas para a grelha são a picanha, a
maminha, o assado de tira (tiras muito finas de costela), linguiças,
salsichões, chuleta, vazio ou fraldinha e o filé mignon.
Quando utilizar a grelha, é
interessante ter pinças de metal compridas para virar e manusear a carne. Evite
utilizar aquele garfo comprido de dois dentes, que é bastante comum para
carnes, pois o suco pode sair pelos furos e a carne ficará mais seca e menos
macia. Comece a grelhar a carne na parte mais quente da churrasqueira,
tostando-a bem de um lado, e posteriormente vire a carne do outro lado para
tostar. Depois, coloque a carne numa parte com calor menos intenso, para que
ela asse até chegar ao ponto desejado. Pergunte a seus convidados qual o ponto
de carne que eles desejam, pois este será um fator fundamental no sucesso de
seu churrasco.
Tipos de grelhas
a) Grelha plana
b) Grelha dobrável
c) Grelha com tela inox
Espeto
Para assar seu churrasco usando
espetos, a dica é comprar espetos de aço inoxidável, que apesar de mais caros
que os comuns são de melhor qualidade. Por não serem rugosos, eles são mais
fáceis de limpar, mais duráveis e não soltam resíduos metálicos na carne.
Escolha espetos de comprimento adequado à sua churrasqueira. Isto é muito
importante, pois você evita se queimar na empunhadura do espeto e os espetos
não cairão dentro da churrasqueira, o que poderá acontecer se eles forem muito
curtos.
SAL
Hoje em dia existem vários tipos
de tempero para a carne, porém a maioria acredita que o melhor ainda é usar
apenas sal grosso. Para melhores resultados, separe os cubos mais grossos de
sal dos mais finos, usando somente os mais grossos para temperar a carne. Não use
sal refinado (sal de cozinha), pois o risco de salgar a carne em excesso é
muito grande. Não é recomendado o uso de salmoura (mistura de água e sal
refinado), pois a água muda o PH da carne e, juntamente com o sal fino,
enrijece as fibras e endurece a carne.
Não use sal grosso úmido, pois
ele faz com que a carne absorva muito mais o sal, comprometendo seu sabor. Para
retirar a umidade do sal, basta aquecê-lo por alguns minutos em uma travessa no
forno, mexendo constantemente até que fique seco.
Não se deve temperar a carne com
sal grosso com muita antecedência, pois a carne resseca. Para salgar a carne de
forma correta, espalhe sal grosso em toda a superfície da carne. Quando a carne
começar a transpirar significa que o sal está ficando bem aderido e entrando na
carne (e não retirando o suco, como se imagina). Este é o momento certo de
levá-la à churrasqueira. Antes, porém, você deve retirar todo o sal da mesma,
esfregando a carne com as mãos. Com esta dica você raramente irá errar no sal.
Retirando o sal para servir
Para tirar o sal da carne, segure
o espeto firmemente e bata a carne com as costas de uma faca. Faça isto longe
do fogo, pois o sal pode estourar em seus olhos se a carne ainda estiver dentro
da churrasqueira.
ASSANDO CARNE
O ponto da carne é uma escolha
pessoal, sendo que para alguns cortes existem pontos mais adequados (a costela,
por exemplo, deve sempre ser servida bem passada). Os pontos de carne para
churrasco são: malpassado, ao ponto e bem passado. A maioria das pessoas
prefere carne ao ponto. Porém, a melhor dica é a de descobrir e respeitar o
melhor ponto para cada carne conforme suas características. Procure saber o que
os seus convidados preferem, para garantir seu sucesso como churrasqueiro.
A temperatura da carne ao ser
levada para a churrasqueira é também muito importante. Se ela foi congelada,
deve ser descongelada e estar em temperatura ambiente antes de ir para o fogo,
para garantir que ela fique no ponto ideal. Evite levar a carne da geladeira
diretamente ao fogo.
Saiba mais sobre ponto de carne
clicando aqui
Mude os espetos ou os pedaços de
carne sobre a grelha de lugar constantemente, para que os pingos de gordura não
caiam sempre no mesmo local do braseiro. Quando os pingos de gordura caem no
braseiro, formam labaredas que não devem tocar a carne. Portanto, ajuste a
altura dos espetos ou da grelha para que as labaredas não as atinjam. Para
virar a carne, temperar ou pincelar use sempre utensílios de cabo longo, como
pinças. Lembre-se que não se deve ‘apertar’ nem furar a carne quando estiver
assando, para que ela não perca o suco e enrijeça.
Se por acaso alguma parte da
carne ficar carbonizada pelo contato direto com a chama da churrasqueira,
recomenda-se descartar este pedaço. Lembre-se que o que assa a carne é o calor,
e não a chama diretamente sobre a carne. E, finalmente, evite assar demais os
ingredientes, para não endurecê-los.
Asse a costela à aproximadamente 60
cm da brasa com a parte dos ossos virada para o braseiro (para baixo).
ASSANDO CARNE COM GORDURA
Sempre que possível, as carnes
devem ser assadas com a própria gordura. Isto a torna impermeável e protege-a
contra o calor intenso na churrasqueira, evitando que o calor carbonize as
proteínas da carne. Se a gordura for retirada antes do preparo, a carne
terminará ressecando. A maioria das carnes para churrasco vem com a sua gordura
própria, como no caso da picanha, cupim e costela.
Comece assar a picanha com a
gordura voltada para cima, deixando que a parte de baixo e forme uma crosta
crocante. Vire o lado com gordura para baixo somente no final, para que ela
acabe de derreter.
XIXO OU ESPETINHO MISTO
De origem árabe, onde recebe o
nome de sish kebab, tem a vantagem de poder unir várias cores e sabores em um
só espeto. Uma boa combinação para churrasco é carne bovina (alcatra, filé
mignon ou contrafilé), lombinho de porco, linguiça calabresa ou salsichão,
frango (peito, sobrecoxa ou coxa), cebola, pimentões coloridos e tomate. Pode
ser temperado apenas com sal grosso e um fio de azeite de oliva. É claro que
também se pode usar somente um tipo de carne, como o filé mignon, caprichando
nos outros ingredientes.
ACENDENDO A CHURRASQUEIRA
Lembre-se que lidar com fogo
exige certos cuidados de segurança, para evitar acidentes ou ferimentos. Uma
pequena fagulha que caia num frasco de álcool pode causar uma explosão. Um
simples pedaço de plástico que caia dentro de uma churrasqueira provocará a
liberação de gases tóxicos que poderão causar mal estar e dor nos olhos de quem
estiver por perto. Antes de acender o fogo, verifique se não há crianças por
perto, nem qualquer produto inflamável.
Para acender a churrasqueira,
NUNCA use produtos tóxicos como gasolina, querosene, óleo diesel ou outros
produtos inflamáveis diretamente no carvão, pois você poderá causar uma
explosão e se queimar gravemente. Existem diversas formas seguras de acender o
fogo com segurança.
Compre apenas carvão de boa
qualidade, preferindo o que tem pedaços grandes, pois estes permitem a
circulação de ar. Se o carvão tiver muitos pedaços finos, deixe queimar um
pouco, mexendo no fogo para que estes farelos queimem primeiro (mas sempre
antes de colocar a carne). O carvão precisa estar bem seco e deve ser colocado
no centro da churrasqueira. Alguns churrasqueiros preferem colocar o carvão em
apenas uma lateral da base da churrasqueira, para que sobre um espaço sem
brasas que pode ser utilizado no caso de ser preciso deslocar a carne para que
não queime.
Uma das formas de se acender o
braseiro é forrar a churrasqueira com uma camada fina de carvão e preparar
vários rolinhos de papel de jornal, dispondo aproximadamente oito rolinhos em
uma direção e oito perpendiculares aos mesmos, formando uma espécie de grade.
Tape com mais carvão e despeje três tampinhas do álcool por cima. Nunca leve o
frasco de álcool para perto da churrasqueira. Jogue um fósforo aceso sobre o
local, e afaste-se imediatamente. Faça vento com um jornal dobrado ou com um
fole, para atiçar as brasas.
Outro sistema é preparar um
canudo de jornal, que deve ser feito da seguinte forma: ponha várias folhas de
jornal, papelão ou papel sobre a mesa, e com o auxílio de uma garrafa enrole o
papel formando um canudo (sem fechar as extremidades). Retire a garrafa e
coloque este canudo de papel no meio da churrasqueira, envolvendo o canudo com
carvão por fora e um pouco por dentro. Em seguida, ponha fogo no canudo. É um
método eficiente e seguro.
Existem também à venda em
supermercados ou lojas especializadas acendedores de churrasqueira, cujas
instruções estarão na embalagem.
E como saber se as brasas estão
no ponto certo para começar seu assado? É só observar quando o carvão estiver
coberto por igual de uma camada de cinza branca, sem chamas ou fumaça, com
temperatura elevada, o que pode levar de 20 minutos a meia hora. O carvão já
terá queimado totalmente e liberado toda a fumaça inicial que pode dar cheiro e
gosto na carne (se utilizar-se o braseiro muito cedo). Saber aguardar o momento
em que o braseiro estiver pronto é uma etapa bastante importante, pois
lembre-se: a labareda é um dos motivos pelo qual o churrasco fica queimado.
Portanto, é importante que a temperatura esteja bem alta quando você puser as
carnes, para que o calor toste e sele a superfície da carne, porém sem
labaredas que queimam a carne.
CONTROLANDO O CALOR DA
CHURRASQUEIRA
Para controlar o calor, você pode
espalhar as brasas na base da churrasqueira, diminuindo sua temperatura, ou
então juntá-las ou amontoá-las mais e aumentar o calor.
Se o carvão for se consumindo
muito rapidamente, basta acrescentar algumas pedras a mais à medida que o fogo
enfraquece. Por isto, o bom churrasqueiro mantém sempre um saco de carvão extra
por perto. Para colocar mais carvão, afaste um pouco a carne e coloque o carvão
ao lado do braseiro, arrastando-o lentamente para perto das brasas, cuidando
para não levantar fuligem.
Lembre-se que junto às paredes da
churrasqueira o calor é maior do que na parte central, portanto não deixe a
carne ‘esquecida’ em um canto da churrasqueira, pois ela continuará a assar (e
perderá o suco).
Cuidado se quiser jogar água na
churrasqueira
Conforme a gordura da carne pinga
no fundo da churrasqueira, as labaredas aparecem. Ao contrário do que muita
gente pensa, jogar água nem sempre é a melhor solução. Isso faz com que a
churrasqueira perca seu calor, comprometendo o ponto da carne. Além disto,
quando se joga água uma fuligem branca se desprende do braseiro e gruda na
carne. Porém, churrasqueiros experientes dizem que uma pequena quantidade de
água (um terço de um copo americano) produz bons resultados sem levantar
fumaça. Quando for jogar água, afaste um pouco a carne para evitar que a fumaça
pegue na carne.
Outra dica é usar as cinzas do
churrasco anterior para cessar o fogo. Como? É simples: ao terminar o
churrasco, guarde as cinzas. No novo churrasco, jogue-as sobre as labaredas.
Dessa forma, o fogo é extinto sem prejudicar o calor.
Não permita que seus convidados
joguem guardanapos ou qualquer outro objeto para queimar na churrasqueira.
Estes podem liberar fumaça que alterará o sabor da carne.
E PARA SERVIR?
Não se esqueça de bater a carne
com as costas de uma faca para retirar alguma pedra de sal grosso que tenha
sobrado. E depois de pronta, é melhor retirar a carne do espeto e colocá-la
sobre uma tábua de madeira ou polietileno (que é mais higiênica, pois a
ausência de poros no plástico impede a entrada de contaminantes) para poder
cortá-la corretamente. Cortar corretamente significa dizer cortar a carne no
sentido contrário das fibras, coisa que pouca gente presta atenção, mas dá uma
grande diferença na maciez da carne. Se a carne ainda está no espeto, a
tendência é de cortá-la paralelamente ao mesmo, o que muitas vezes não é a
forma ideal. Limpe sempre a ponta do espeto com um pano seco, para retirar a
fuligem e o carvão.
Quanto à tábua, procure não usar
uma tábua que tenha sido utilizada para cortar alimentos crus ou mesmo vegetais
ou frutas, pois esta é uma boa prática que garante sua segurança alimentar.
Após a picanha estar assada,
muitas pessoas gostam de fatiá-la para servir. Se você é uma delas, comece
sempre da ponta fina (início) para o lado grosso (fim). Lembre-se que a picanha
tem um formato triangular.
E DEPOIS DO CHURRASCO?
Após o final do churrasco, deixe
o fogo apagar por si na churrasqueira. Você pode ajudar espalhando bem as
brasas.
Se o churrasco foi feito em uma
área aberta, especialmente se foi feito no campo, não vá embora sem ter a
certeza de ter apagado completamente o fogo. O melhor é jogar bastante água ou
então cobrir bem com areia, até que as brasas fiquem enterradas. Assim você
evita o risco de provocar um incêndio.
Limpe a grelha, os espetos, as
tábuas, facas e todo material utilizado no churrasco imediatamente. Além de ser
mais fácil, você evita que o sal corroa e danifique seus acessórios de
churrasco. Limpe os espetos e grelhas com um escovão de aço, esfregando
vigorosamente para remover todos os resíduos, depois use uma esponja de aço com
bastante sabão, seguida de uma esponja normal com sabão e água.
Esperamos que estas dicas lhe
sejam proveitosas e desejamos um ótimo churrasco! Lembre-se que a carne bovina
é muito saborosa e rende excelentes refeições e confraternizações.
Nossa maneira tão brasileira de
preparar churrasco está conquistando os americanos, alemães, japoneses e até
tailandeses. O sal grosso como tempero único para churrasco pode deixá-los
desconfiados no começo, mas depois que eles experimentam nosso churrasco ficam
encantados.


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